13-11-2006

António Lobo Antunes

medium_Intelectual.jpgAntónio Lobo Antunes publicou o seu novo livro "Ontem não te vi na Babilónia". Faço questão de o ler quando as minhas finanças o permitirem ou quando a Biblioteca cá do burgo o adquirir.

Não é isso que me leva a escrever este texto, mas sim a entrevista que este mesmo escritor deu ao jornal Diário de Aveiro onde, em poucas palavras abanou a estrutura das entrevistas de prateleira-cheia com que nos habituaram as nossas figuras públicas.

Sorrio sempre quando os nossos cabeças-de-cartaz procuram aquele recanto da casa mais propício àquela entrevista de promoçãozinha individual e depois com o ar mais natural do mundo, deambulam sobre os clássicos como se tivessem nascido com eles.

Ficou conhecido cá na terra o episódio do político que adquiriu livros a metro para preencher um certo espaço na prateleira lá de casa e embora eu duvide sinceramente da veracidade de tal história, ela serve na perfeição o pretensiosismo intelectual de muita gente que nos serve a cultura em bandeja de prata.

Quando lhe perguntaram acerca das sua referências como escritor, António Lobo Antunes respondeu,

« De facto quando se faz essa pergunta a um escritor, todos têm tendência a escrever Cervantes, Tolstoi, por aí fora. É mentira. Eu comecei a escrever por causa do “Mandrake”, “Flash Gordon” e dos livros para crianças que era o que lia quando era miúdo. As pessoas tendem sempre a compor um perfil de intelectual quando na realidade um escritor não começa aos 30 anos, são os livros para crianças que despertam em si o desejo de escrever. Eu não quero escrever “Odisseias” nem “Ilíadas”, quero escrever livros como os livros que lia quando era criança…»

Al Catifa