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24-11-2007
Bluesinha

Espiralaram a Via Láctea sem nunca se encontrarem, em voos diferentes, espirais paralelas, com turbilhões de luz cósmica de tonalidades e gradações infinitésimais, algumas delas até inexistentes no cardápio da própria Robbialac, fustigando as naves sólidas e luzidias em direcção ao amanhecer de uma nova era num planeta que só podia ser azul. Assim começou a história dos Aliens que se adoram ou mais que isso mas que ainda não o sabem pelo menos neste principio de história mirabolante. Entraram no sistema Solar pelo Norte da bússola do Universo, signo do Aquário, circundaram o frio de Plutão pela imensa estrada que ziguezagueia todos os restantes planetas... Neptuno, Úrano, Saturno, Júpiter, Marte e todos os outros que se escondem ainda com truques hológráficos do olhar da humanidade. Saem numa velocidade vertiginosa pela lado trincado da Lua que nessa altura estava num Quarto Crescente ameaçador... cuidado com o esse lado negro, e abrem-se os seus olhos de espanto, em momentos diferentes, para o azul que lhes ocupa todo o horizonte visível e invisível (desculpe o plágio senhor abade), em naves diferentes, em espasmos de silêncioooooooo... ... ... silêncioooooo ... para ainda procurarem o olhar do outro, sem se verem, e registarem nos recônditos das suas próprias memórias, o saberem que se sabem e não se sabe como, mas... bolas, conhecemo-nos toda vida mas não sei quando. Fica aqui a explicação do facto.
Al Nónimo
20:05 Escrito em Al Nónimo | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail
09-11-2007
o que de facto existe

Caro amigo, hoje aventurei-me por aquele caminho de odores velhos e árvores frondosas que tantas vezes percorremos afoitos, assobiando de improviso melodias que não sabiamos sequer existir. Por entre as sombras verdes, as memórias das nossas próprias vozes ecoaram subindo, por dentro, desfiando as nossas eternas discussões acerca da gestão divina de um deus que julgavamos existir e as não menos sagradas dissertações acerca das longas pernas da bela Joana que nos embriagava os sentidos nas aulas de educação fisica. Essas existiam de facto e não só nas minhas noites turbulentas. As árvores continuam lá solenes e imortais esperando o açoite do homem, mas aquele pequeno riacho que pulavamos de um salto, deixou de percorrer o trilho prata, sinuoso, de onde surripiavamos os girinos irrequietos que guardavamos em frascos de vidro na esperança de assistir à magia da transformação. Morriam carentes do movimento das águas e a magia morria também com eles. Os sons dos bichos do mato são mais fracos que outrora ou os meus ouvidos perderam a capacidade de ouvir frequências tão doces, habituados que estão à rudeza do asfalto e aos sons complexos da nossa urbanidade. Mesmo assim fica aqui o desafio. Quando te resolveres a visitar a terra, aventura-te por aquele caminho que parece ter sempre existido.
Al Manaque
pintura Delilah Smith
23:20 Escrito em Al Manaque | Permalink | Comentários (1) | Enviar por e-mail






