09-11-2007

o que de facto existe

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Caro amigo, hoje aventurei-me por aquele caminho de odores velhos e árvores frondosas que tantas vezes percorremos afoitos, assobiando de improviso melodias que não sabiamos sequer existir. Por entre as sombras verdes, as memórias das nossas próprias vozes ecoaram subindo, por dentro, desfiando as nossas eternas discussões acerca da gestão divina de um deus que julgavamos existir e as não menos sagradas dissertações acerca das longas pernas da bela Joana que nos embriagava os sentidos nas aulas de educação fisica. Essas existiam de facto e não só nas minhas noites turbulentas. As árvores continuam lá solenes e imortais esperando o açoite do homem, mas aquele pequeno riacho que pulavamos de um salto, deixou de percorrer o trilho prata, sinuoso, de onde surripiavamos os girinos irrequietos que guardavamos em frascos de vidro na esperança de assistir à magia da transformação. Morriam carentes do movimento das águas e a magia morria também com eles. Os sons dos bichos do mato são mais fracos que outrora ou os meus ouvidos perderam a capacidade de ouvir frequências tão doces, habituados que estão à rudeza do asfalto e aos sons complexos da nossa urbanidade. Mesmo assim fica aqui o desafio. Quando te resolveres a visitar a terra, aventura-te por aquele caminho que parece ter sempre existido.

Al Manaque

pintura Delilah Smith

Comentários

lá estarei e atenta aos sons :)

Escrito por: teresa | 22-08-2008

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