18-06-2007

economia de mercado

medium_ovni.jpgMostraram-me o gráfico do meu próprio desempenho. Alguns prazos não estavam a ser cumpridos.

Uma leve brisa entrou pela janela entreaberta trazendo com ela um suave aroma verde que argumentava com os índices de produtividade que me chegavam aos ouvidos em ondas curtas e sem forma. 

Como se de repente tivesse entrado num túnel... do tempo... onde as vozes se misturam algures no espaço.

"... os objectivos para o mês de Setembro são baseados na fraca performance dos meses antecedentes..." - a voz continuava a ouvir-se num vaivém de ondas sem conteúdo... nem tempo.

"... performance?? - pensei - eles sabem lá o que é performance..!!!"

Olhei pela janela. O sol já ia alto. Vi a minha nave reluzente lá fora com as suas turbinas dissimuladas e o sistema anti-gravitacional já activado telepaticamente. Um ruído grave, inaudível, quase se fazia ouvir pelo comum dos mortais.

"Isto sim, é performance... " - movi o ollhar para a sala de aula onde o tempo se misturava.

"... as províncias de Angola,... quem sabe levante o dedo..." - passei os dedos pela lombada do meu livro de Geografia sem intenção de o abrir. Ao meu lado o Joaquim também olhava absorto pela janela enquanto girava o côto do lápis na bochecha. Será que ele também tinha ali a sua nave estacionada pronta a arrancar pelo negrume dos céus ?

"... Bié... Cabinda... Huíle... Luanda " - o Manel China desfiava o rosário das províncias de Angola ainda de dedo em riste apontando algures um ponto no espaço. Olhei de novo a nave lá fora. A cúpula girava lentamente em sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, enquanto as doze lâmpadas de brilho ambar marcavam toda a área de influência magnética do aparelho. De qualquer forma teria que aguardar pelo anoitecer. O sol tinha descido mais um pouco e preparava-se para desaparecer atrás dos prédios cinzentos, onde tudo parecia convergir

"... se não tiverem questões a colocar, julgo que podemos dar por terminada a reunião..." - os gráficos tinham desaparecido e em seu lugar estavam agora alguns apontamentos para o mês seguinte. Levantei-me e olhei pela janela antes de sair... a nave tinha desaparecido juntamente com o sol.

Al Manaque

Comentários

Tinha-me já esquecido como me delicias.
Tão bom ler-te!
Soltas-te, entregas-te. És só palavra.
E danças em espaços que só tu sabes construir.

Gosto-te aqui. Assim!

Escrito por: Rosa Maria | 12-09-2007

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