05-01-2008
Anseio tocar teu corpo,...

Anseio tocar teu corpo,...
... a curva do teu pescoço que se presta aos meus intentos.
Deslizar os lábios lentos como quem sorve sem sede
a leveza da água que se escoa no teu peito.
Aí paro mas só em sonhos, digitalizo e guardo em memória
a doçura do teu traço, toco leve no teu braço,
abraço o que posso e circundo sem receioa beleza do teu seio.
Desço mais um pouco, ao teu ventre,
que carente já de fogo com meus lábios em deslize vou queimando.
E o meu corpo se transforma, busco no ar que me rodeia
o odor das tuas coxas que se abrem sem pudor
e a dor que me consome dá-me luz dá-me fome.
Bebo o sal do teu corpo, serpenteio minha língua
como quem vive numa míngua, morro ébrio de desejo.
E quando tudo se aproxima, olhos nos olhos entro dentro
da volúpia do teu corpo que me escolhe,...
que me acolhe.
Anseio tocar teu corpo…
Al Nónimo
Pintura Paul Klee - Embrace
13:40 Escrito em Al Nónimo | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail
24-11-2007
Bluesinha

Espiralaram a Via Láctea sem nunca se encontrarem, em voos diferentes, espirais paralelas, com turbilhões de luz cósmica de tonalidades e gradações infinitésimais, algumas delas até inexistentes no cardápio da própria Robbialac, fustigando as naves sólidas e luzidias em direcção ao amanhecer de uma nova era num planeta que só podia ser azul. Assim começou a história dos Aliens que se adoram ou mais que isso mas que ainda não o sabem pelo menos neste principio de história mirabolante. Entraram no sistema Solar pelo Norte da bússola do Universo, signo do Aquário, circundaram o frio de Plutão pela imensa estrada que ziguezagueia todos os restantes planetas... Neptuno, Úrano, Saturno, Júpiter, Marte e todos os outros que se escondem ainda com truques hológráficos do olhar da humanidade. Saem numa velocidade vertiginosa pela lado trincado da Lua que nessa altura estava num Quarto Crescente ameaçador... cuidado com o esse lado negro, e abrem-se os seus olhos de espanto, em momentos diferentes, para o azul que lhes ocupa todo o horizonte visível e invisível (desculpe o plágio senhor abade), em naves diferentes, em espasmos de silêncioooooooo... ... ... silêncioooooo ... para ainda procurarem o olhar do outro, sem se verem, e registarem nos recônditos das suas próprias memórias, o saberem que se sabem e não se sabe como, mas... bolas, conhecemo-nos toda vida mas não sei quando. Fica aqui a explicação do facto.
Al Nónimo
20:05 Escrito em Al Nónimo | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail
16-05-2007
teus olhos
Naquele dia houve um momento em que o sol passou pelos teus olhos claros e deixou um sol mais aberto nos meus, no mesmo momento em que eu disse perto da tua boca, perto dos olhos teus – Vês os meus olhos abertos agora amplos que outrora definhavam...? - e o sol continuou o seu percurso pelo mundo enquanto eu alinhava os meus lábios nos teus e o tempo, na sua complacência, torneava displicente o nosso tempo de tão pouco, e eu torneava o teu corpo com gestos meigos e tementes de que o fogo ardesse de uma só vez na palma da minha mão que só queima quando toco, que só arde quando amo. Não é só adoração o que sinto.
Al Nónimo
22:20 Escrito em Al Nónimo | Permalink | Comentários (2) | Enviar por e-mail
08-05-2007
Labirinto
Acho bonito falar alemão.
Por isso, talvez, eu não queira aprender a falar alemão.
Se eu falasse alemão
as pessoas iriam dizer, simplesmente, “ele fala alemão”
e aí perderia toda a graça.
A graça está em achar bonito falar alemão.
Por isso, às vezes,
eu deixo de fazer algumas coisas.
Deixo de dizer que te amo
porque dizer que te amo soaria como uma banalidade a mais
nesse mundo cheio de banalidades.
e onde habito eu, um poeta das banalidades
E simplesmente me calo, deixo a barba crescer
escrevo poemas para depois apagá-los de minha lembrança
e esqueço coisas que seriam inesquecíveis
simplesmente porque perdi a capacidade
de reter as coisas boas em minha memória.
Hermínio Bello de Carvalho
16:53 Escrito em Al Nónimo | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail
14-04-2007
Apply
Hoje sorrio com o mesmo sorriso que ontem te sorri e os meus olhos sorriem ainda dos sorrisos que sorrimos. Nas minhas mãos tenho ainda a leitura do teu corpo e o teu aroma prevalece ainda pelos recantos de mim. Na minha boca guardo segredos mudos do teu gosto e no meu coração existem batimentos que há muito desconhecia
13:05 Escrito em Al Nónimo | Permalink | Comentários (2) | Enviar por e-mail
17-03-2007
Over The Rainbow
Somewhere over the rainbow
Way up high
There's a land that I heard of
Once in a lullaby
Somewhere over the rainbow
Skies are blue
And the dreams that you dare to dream
Really do come true
Some day I'll wish upon a star
And wake up where the clouds are far behind me
Where troubles melt like lemondrops
Away above the chimney tops
That's where you'll find me
Somewhere over the rainbow
Bluebirds fly
Birds fly over the rainbow
Why then, oh why can't I?
Some day I'll wish upon a star
And wake up where the clouds are far behind me
Where troubles melt like lemondrops
Away above the chimney tops
That's where you'll find me
Somewhere over the rainbow
Bluebirds fly
Birds fly over the rainbow
Why then, oh why can't I?
If happy little bluebirds fly
Beyond the rainbow
Why, oh why can't I?
14:13 Escrito em Al Nónimo | Permalink | Comentários (1) | Enviar por e-mail
09-01-2007
Bolinha
Para ti...
que por seres somente
quem... com a força que não sabe que tem
faz de mim assim tão carente
do aperto dos teus braços
da urgência do teu corpo
que de tão ardente, fere, queima e marca
a alma de quem como eu...
mero escravo do teu ser
te homenageia a ti...
a Bolinha que se alojou
no tal cantinho do meu coração
e que por seres assim...
com essa força que não sabes que tens
feita de afectos adormecidos,
sonhos em hibernação...
beijo de olhos baixos,
coração no chão,
em jeito de homenagem
alguém que, como tu,
vive na luz por ti criada
no mais profundo de mim,
dentro do meu coração
Al Nónimo
17:25 Escrito em Al Nónimo | Permalink | Comentários (2) | Enviar por e-mail
26-12-2006
Não procures mais o teu caderno de Geografia

Não procures mais o teu caderno de Geografia,
eu, tirei-o da tua mochila.
Não quiseste ir à matiné comigo, no domingo passado,
os meus amigos contaram-me que estavas acompanhada pelo Bermudez
o grandalhão que pratica luta livre.
Contaram-me que estavas muito linda
e que te rias a cada segundo.
Não procures mais o teu caderno de Geografia,
agora está a chover, espreita pela janela e verás passar oitenta barquitos de papel
Não procures mais o teu caderno de Geografia.
Jairo Anibal Niño in "A Alegria de Gostar" http://www.boca.pt/
18:40 Escrito em Al Nónimo | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail
20-12-2006
Nos teus silêncios
O que não leio nos teus lábios
ouço nos teus silêncios atrozes
frases velozes, fugazes, letais
sobras de discussões acesas
que caiem quando me olhas de olhos rasos,
e sais
E assim sorrimos sorrisos que se formam
no vão dos mesmos lábios que se beijam
beijos fechados, seguros, reais
que em ferida se cruzam no sal
das lágrimas sóbrias que se esgotam
quando vais
Al Nónimo
15:15 Escrito em Al Nónimo | Permalink | Comentários (1) | Enviar por e-mail
20-11-2006
Quando me lembro de erguer o olhar...
O Coração das Estrelas (Cabeças no Ar)
Os astros são imensas criaturas vivas de pulsação milenar que sempre me fizeram sonhar com viagens e descobertas fantásticas. Passam quase sempre despercebidos, silenciados pelo ruído gerado por este mundo onde o sonho se confunde com os índices económicos e as constelações se remetem para as cartas astrológicas que teimamos em usar como barómetros inócuos das nossas vidas.
Mas o universo continua lá, inatingível e coerente, em milhares de constelações e nebulosas que me abarcam o olhar, que me repreendem os sentidos quando me afasto daquilo que sou e me domesticam a alma quando me deixo seduzir pelos orgulhos mais terrenos.
Criaram-nos do mesmo pó interestelar que esses imensos seres que se movimentam serenamente pelas forças gravitacionais do cosmos, cumprindo escrupulosamente cálculos matemáticos mas completamente alheios aos problemas que ensombram os orçamentos de estado deste nosso país onde a matemática não se aplica.
Somos feitos de pó agrupado num resultado instável mas fantástico, filtrados pelas imensas teias do universo que sem objectivos estipulados nem projectos definidos fizeram de nós uma criação magnífica, frágil e volátil.
São eles deuses sem religião nem compaixão cujo inventário criativo vamos anotando e arquivando na nossa memória colectiva e intemporal?
O universo é assim, vasto e profícuo nas suas intenções sem intenção e nós seremos sempre e só, os escribas com lições vagas de escrita, desses deuses que eu olho quando me lembro de erguer o olhar.
Al Nónimo
12:05 Escrito em Al Nónimo | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail






